quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Mudanças são bem-vindas

Você deve ter percebido (eu espero que você tenha percebido) que estou a mais de um mês sem postar nada aqui. Vamos colocar as coisas em pratos limpos.

O motivo dessa ausência é o seguinte: comecei a trabalhar. Sim, eu, esta pessoa que vos fala (ou vos escreve; considerem minha licença poética), que pensava que esse dia nunca iria chegar, se vê diante da labuta.

Aliás, os dois últimos posts foram escritos no meu tempo ocioso no trabalho, mas isso está se tornando cada vez mais difícil de acontecer.

E não tenho mais todo o tempo necessário para fazer o que eu fazia em 95% do blog: comentar filmes. Mas, esperto como sou, já havia pensado nisso na criação do blog e de seu nome, que faz um trocadilho com uma expressão de internet e com meu apelido (que é meu nome, na realidade, em seu formato abreviado).

Ou seja, o blog leva meu nome. Ele é maleável, ele se ajusta aos problemas. Ele é sobre mim. Quanto aos filmes, eram minhas opiniões. Não há mais tempo para isso? OK, vamos arrumar outros assuntos, mais práticos.

E vou aproveitar o egoísta tema "eu" e vou lhes contar um pouco mais. Meu trabalho, como quase todo aquele que está em uma faculdade e vai começar no mercado de trabalho, é um estágio. Sim, sou um estagiário.
A faculdade que faço é de Radialismo, conhecida por alguns como Rádio e TV e por outros como "O que é isso?". É uma área extremamente interessante (óbvio, senão já tinha trancado). Pense que, a cada programa que você vê ou ouve, na televisão ou no rádio, ou até no cinema mesmo, somos nós, radialistas, que fazemos. Sim, imagine seu mundo sem nós, talvez não fosse mais o mesmo, hein?

Minha faculdade é a Metodista, e meu estágio também. Mais especificamente, na Redação Multimídia da faculdade, que abriga também a Rádio Sônica. Aí você se pergunta: "Redação? Não é lugar de jornalista?". E eu lhe respondo: "Você leu o que escrevi acima? Quem é que grava os tele e radio jornais?".

Mas (se você não leu, de novo) temos uma rádio também, que é a parte mais legal de todas. Podemos criar programas, o que é muito interessante, divertido e educativo, claro. Eu, por exemplo, sou o diretor do novo programa, Infosônica, que está em fase de apresentação de piloto, e quando ficar pronto divulgarei aqui.

E é basicamente isso, uma explicação (resumida) do porquê de não ter aparecido mais por aqui. Provavelmente, o blog entrará mais na linha desse post mesmo. Gostou, continue sintonizado. Não gostou, sou educado e não lhe mandarei catar coquinhos na esquina e empilhá-los em uma ladeira.

E, mesmo assim, para quem gostava de como era, aqui estão os filmes que assisti desde a última postagem:

  • Quero Matar Meu Chefe (Horrible Bosses, 2011)
  • Capitão América - O Primeiro Vingador (Captain America - The First Avenger, 2011)
  • Super 8 (Super 8, 2011)
  • Professora Sem Classe (Bad Teacher, 2011)
  • Lanterna Verde (Green Lantern, 2011)
  • Duelo de Titãs (Remember the Titans, 2000)
E é isso. Talvez eu crie espécies de "quadros" (usando linguagem radialista para você!) para ficar mais dinâmico, e para comentar rapidamente uma série de filmes de forma rápida e outras cositas más.

Obrigado pela preferência, e até o próximo post. Por que? O blog é meu. Ele é muito meu, tchau pessoal.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Não Se Preocupe, Nada Vai Dar Certo

Fui assistir a esse filme totalmente por acaso. O acaso é que a sessão de Harry Potter, a qual eu fui para assistir pela terceira vez, esgotou. O que tinha para ver de imediato era esse filme, e não é que ele me surpreendeu, de certo modo.


Não Se Preocupe, Nada Vai Dar Certo (2011)
Direção: Hugo Carvana
E depois de ver o filme eu descobri que, sim, eu já havia visto um filme de Hugo Carvana. E como sempre nessas ocasiões, a comparação será inevitável.
Pai e filho, ambos atores e o primeiro trambiqueiro, rodam o Ceará com seu espetáculo. Até o dia em que uma mulher contrata os serviços do filho para se passar por um guru no Rio de Janeiro, para ganhar muito dinheiro.
A história é interessante em si. Tenho certeza que já a vi em algum outro lugar, mas enfim, não é mais batida das histórias, e acho que é possível ver uma nova versão disso. Afinal, se bem trabalhado, um filme sobre trambiques e golpes sempre será interessante.
Os atores do filme que dão toda a veracidade à história. Gregório Duvivier é um bom ator, e um bom improvisador também. Ele vem de uma peça de improviso no teatro, é esperado que ele saiba fazer isso. Seu personagem é bem trabalhado e ele o interpreta muito bem, e ainda consegue arrancar algumas risadas quando seu personagem se transforma em Bob Savanandra, o guru indiano que vem dar um workshop no Brasil. Na verdade, o verdadeiro Bob foi preso nos Estados Unidos, e a personagem de Flávia Alessandra, relações públicas de uma empresa que está construindo no Ceará, contrata Lalau para que ele se passe pelo guru, a fim de não tomar uma multa gigantesca. Herson Capri e Ângela Vieira estão bem em seus papeis também, como o casal dono da empresa.
Eu acho que o grande destaque do filme é Tarcísio Meira e seu personagem Ramon Velásquez. Golpista de longa data, personagem do espetáculo de stand-up comedy de seu filho Lalau Velásquez e um grande ator. Ele é uma síntese de um grande aventureiro e um artista. Seus bordões durante o filme definem o que é o personagem: "eu fiz uma cagada" e "não se preocupe, nada vai dar certo". Um bon vivant que cria espetáculos pelo simples prazer do espetáculo. O número de "personagens" que ele interpreta durante o filme mostra sua competência e sua dedicação, usando-os no dia a dia para se livrar (ou entrar) em situações diversas.
Quanto ao filme anterior de Hugo Carvana, Casa da Mãe Joana, lembro de o ter assistido no cinema e ter achado muito regular. Tinha atores muito bons, do nível de Paulo Betti e José Wilker, mas se propunha a ser uma comédia normal, sem muitas inovações. Tendo visto somente esse seu filme antes, não posso comentar sobre uma possível melhora como diretor, mas Não Se Preocupe é melhor que Casa da Mãe Joana.
E, no final das contas, esse filme é uma grande homenagem aos atores mesmo. O mentor de Lalau, após interpretar um padre para o golpe de Ramon, diz que não fez pela grana, mas sim pelo prazer de votar a interpretar. Assim como ele tinha dito em uma cena anterior, como Ramon passa falando o filme inteiro. Não é a toa que o final do filme é teatral, ele tem o foco nos profissionais que o formam na frente dos palcos. E das telas, também, obviamente.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Cilada.com

Adaptar uma série de TV para um filme de longa-metragem é sempre uma tarefa perigosa. O problema é quando esquecem que os dois formatos são diferentes e precisam de abordagens diferentes.


Cilada.com (2011)
Direção: José Alvarenga Jr.
E o descrito acima se aplica aqui. O mesmo formato da televisão foi passado para o cinema. E não era para isso ter acontecido.
Bruno fica bêbado e trai sua namorada em uma festa. Para se vingar, ela coloca na internet um vídeo dele em um péssimo desempenho sexual. Então ele tenta reverter a situação e ganhar sua dignidade de volta de vários jeitos possíveis.
Bruno Mazzeo é um ótimo comediante. O seriado Cilada - mesmo eu tendo visto muito pouco dele - é muito engraçado e, de certo modo, inovador. Escrevendo comédia desde que tinha 19 anos, e sendo filho de Chico Anysio, humor é algo que ele realmente sabe fazer.
Mas parece que, ao pensar no filme, ele estava pensando no seriado. Digo isso porque o filme não tem uma história que caiba em um longa-metragem, ele é todo formado por diversos esquetes cômicos que, juntas, formam uma espécie de coletânea. São várias cenas engraçadas, mas que estariam muito melhores sendo exibidas na televisão, uma de cada vez. Um longa-metragem não pode ser composto de várias partes quase independentes - a não ser que o filme seja sobre esquetes.
Quanto ao elenco do filme, ele é composto por vários comediantes bons, que seguram o filme durante todo o tempo. O já citado Bruno Mazzeo, roteirista e protagonista, é muito engraçado. Um dos grandes talentos do nosso humor, e que por algum motivo sempre me lembra do Jemaine Clement, do Flight of the Conchords (banda e série). Fernanda Paes Leme faz a namorada traída de Bruno, e está muito bem. Serjão Loroza faz o Marconha, e é engraçado em doses homeopáticas, o que o filme respeita, aliás. E, como o filme tem essa estética de esquetes, muitas pessoas surgem durante toda a produção.
Mas sim, o filme é engraçado. Há várias cenas em que a risada surgirá. É como se você estivesse assistindo várias cenas distintas conectadas por um motivo em comum. Pode não ser a narrativa perfeita, nem o roteiro perfeito, nem a direção perfeita, nem a fluência perfeita, mas é um filme que você pode se sentar e relaxar e curtir sem se preocupar com nada.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2

Tive que dar um tempo para tudo se assentar na minha cabeça, para analisar tudo de uma forma mais profunda. É difícil acreditar que finalmente terminou a saga, que ela teve um fim. Assisti ao filme quinta-feira e começo a escrever esse texto na terça-feira seguinte para poder conciliar tudo e transpor isso nesse texto. Não posso acreditar que tudo acabou.
PS: assisti ao filme mais uma vez, e aproveitei para segurar a publicação do post e acrescentar umas coisas a mais. E durante esse tempo, o filme já passou de um bilhão de dólares de bilheteria no mundo inteiro. Uma marca impressionante que é muito merecida.
E desde aqui aviso que, se você por acaso não tenha lido os livros ou vistos os filmes, este texto está cheio de spoilers. Afinal, dei tempo o suficiente para escrever isso e você poder assistir.


Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2 (Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 2, 2011)
Direção: David Yates
Esse filme é excelente! Falando sério, fora da visão de um fã de Harry Potter, esse filme é um dos melhores de todos os filmes da saga. E não só da saga, mas é um ótimo filme comparando com qualquer outro.
Na segunda parte de Relíquias da Morte, Harry precisa correr contra o tempo e encontrar as Horcruxes restantes para poder impedir Lord Voldemort, que está de posse da poderosa Varinha das Varinhas e mais perto de alcançar seus objetivos.
Eu vou ter que dividir esse texto em duas partes distintas: vai haver a hora em que vou elogiar todos os aspectos do filme (porque todos merecem elogios) e vai haver a hora em que vou criticar os pequenos momentos em que acredito que o filme escorrega, tanto do ponto de vista de quem não conhece a saga quanto de quem conhece. E vou começar com essa parte, para que a leitura, depois, termine mais positiva.
Como conhecedor e grande fã da série, posso apontar algumas diferenças entre filme e livro que afetaram o entendimento da história. É claro que, mesmo dividindo o livro final em duas partes, é impossível colocar todo o conteúdo desse livro em um filme, não apenas por questões de tempo, mas por necessidades e limites de cada mídia. Porém, algumas situações me deixaram pensando se todos realmente entenderam o que houve naquele momento. As pessoas aceitam, obviamente, por se tratar de um mundo fantástico sendo representado, e não fazem por mal, mas sim por não lhe mostrarem a verdadeira resposta.
Um dos problemas que eu percebi, começando com um menor, é que eu não lembro (corrijam-me se eu estiver errado), em nenhum momento da série inteira, de mencionarem que Snape foi o Comensal da Morte que ouviu a metade da profecia de Trelawney sobre o garoto que teria o poder de derrotar o Lorde das Trevas e que foi ele quem contou essa parte a Voldemort. Sendo assim, ele causou a morte de sua própria amada. Acrescentaria muito ao filme se essa pequena informação estivesse presente, daria muito mais complexidade ao já fabuloso personagem que é Severo Snape nos filmes. Não fez falta para se entender a história, mas seria interessante ver isso no filme.
Outra exclusão que me deixou chateado foi toda a história de Dumbledore. O livro A Vida e as Mentiras de Alvo Dumbledore está no filme, mas nada dele é explorado. Não é contada a história do jovem e ambicioso Dumbledore, dos seus tempos de Hogwarts e de sua amizade com Grindelwald, com quem pretendia se unir para acharem as Relíquias da Morte e serem muito poderosos, com quem se desentendeu, pois cada um queria seguir seu próprio caminho, e como esse desentendimento levou a um duelo entre eles e Aberforth Dumbledore, onde um feitiço ricocheteado, não sabe-se de quem, matou Ariana Dumbledore, a instável e doente irmã de Alvo. Não há menção de nada disso nos filmes a não ser aparições de Aberforth e do quadro de Ariana. Não se conta que a poção na caverna da Horcrux do final de O Enigma do Príncipe causou tanto sofrimento a Dumbledore porque ela lhe fez rever o dia do terrível acidente, e como ele se sente culpado até hoje. Infelizmente toda essa história genial teve que ser deixada de fora por motivos como tempo e, também, por ser difícil transpor para as telas uma história que, nos livros, é apenas contada. Mas, como disse no texto sobre X-Men: Primeira Classe, o relacionamento de Dumbledore e Grindelwald foi muito parecido com o que foi de Charles Xavier e Erik Lehnsherr, vale a pena ver o filme se você não quiser ler o livro.
Deixando os dois maiores problemas para o fim, outra coisa que me incomodou foi o modo como Harry achava as Horcruxes restantes. Ele simplesmente sentia Voldemort pensar nelas e sabia o que eram, ou sentia elas no lugar em que elas estavam. Achei um jeito muito preguiçoso para corrigir o que não foi contado nos outros filmes em relação à criação dos objetos. Harry está quieto, dá uma dor de cabeça e ele sabe o que fazer. Isso é Felix Felicis e não caça às Horcruxes.
Em relação aos objetos coadjuvantes da história - as Relíquias da Morte - comentarei. Tudo bem com a Pedra da Ressurreição, acredito que seria informação demais dizer que ela é a pedra do anel Horcrux que Dumbledore destruiu. Ela apareceu e todos entenderam. Mas não dizer que a capa de Harry é a Capa da Invisibilidade das Relíquias foi um detalhe que escapou, poderia muito bem estar lá. Como a história nos filmes revolve muito mais em cima do descobrimento e a maravilha da magia (coisa que David Yates ajudou a diminuir e comentarei depois), as coisas geralmente apareciam para que você achasse aquilo muito legal e então elas sumiam. Nos filmes, nunca é mostrado que existem outras capas, e que todas elas são falhas, tirando a de Harry, que sobrevive intacta por séculos. Nesse contexto, seria bem difícil explicar que a de Harry era uma Relíquia. Um detalhe que seria interessante.
Um problema muito grande que encontrei foi o destino da Varinha das Varinhas. Harry simplesmente a quebra, com as mãos, tão fácil quanto um graveto. Não, isso não pode acontecer! Ela é a varinha mais poderosa que existe, não poderia ser tão fácil quebrá-la. No livro, Harry a enterra, muito mais lógico. E pior ainda, a varinha de Harry foi quebrada, e varinhas não podem ser consertadas. No livro, Harry usa todo o poder da Varinha das Varinhas para consertar sua própria, mas no filme ele não faz isso. E então, ele fica sem varinha para sempre? Simplesmente compra outra que não é a que combinava com ele? Esse era um detalhe importantíssimo que acabaram deixando de lado.
E o último problema, tão importante quanto este último, é sobre o limbo onde Harry vai depois de morrer. É uma cena magnífica, mas que faltou um detalhe: Dumbledore não explica que Harry tem a opção de voltar à vida porque Voldemort usou o sangue de Harry para voltar a ter um corpo, o que fez com que somente Voldemort pudesse matá-lo e que ele mantinha um pedaço de Harry em vida (assim como Harry também mantinha um pedaço de Voldemort em vida), portanto ele não poderia realmente morrer. Um detalhe de extrema importância que não poderia ser deixado de fora. Pessoas que não leram os livros e não conhecem a história podem ficar se perguntando o que aconteceu, o que era aquilo tudo e porque Harry realmente não morreu, o que pode gerar especulações diversas e erradas.
Mas, por favor, tudo isso em cima foi apenas o desabafo de uma pessoa que é muito fã da saga. Eu tive que fazer isso. O filme é realmente excelente e vale muito a pena ser visto e revisto e visto novamente. Para tentar me redimir, vou falar sobre todas as qualidades do filme, que é tudo, praticamente.
A começar pela adaptação da história, que conseguiu adaptar brilhantemente às telas do cinema o livro (ou metade do livro) de J.K. Rowling. A história tem seus próprios momentos enquanto se mantém extremamente fiel à história original. A ideia de dividir o filme foi ótima, e permitiu que a história fluísse muito bem. Melhor, por exemplo, que em Harry Potter e o Cálice de Fogo, onde muito teve que ser cortado do filme e pareceu um pouco corrido.
E se juntando a esse roteiro muito competente de Steve Kloves, estão todos os outros aspectos técnicos do filme. A direção de David Yates me agrada desde que ele entrou para a franquia, no quinto filme. Ele adiciona um subtexto político como poucos, e se concentra em personagens ao invés de efeitos. Efeitos que, neste filme, estão soberbos. A magia nunca pareceu tão real, você sente o impacto dos feitiços e fantasia vira realidade. Destaque para o dragão de Gringotes, espetacular. Os efeitos visuais seriam uma de minhas apostas para indicações ao Oscar. Outro fator incrível deste filme e de todos os outros da série, que inclusive concorre frequentemente ao Oscar de Direção de Arte, são os cenários e sets, todos produzidos por Stuart Craig desde o primeiro filme. Desde sempre os cenários e localidades de Harry Potter são excelentes, um dos melhores do cinema atual, e já deveriam ter ganhado um Oscar. Mais coisas que eu gostaria que concorressem é a fotografia do filme, o habitual tom escuro que há desde que Yates assumiu, combinando principalmente com esse final de guerra e perdas. A trilha sonora criada por Alexandre Desplat também é espetacular, e é ótimo ver como ele utiliza, em certos momentos, a Hedwig's Theme, a trilha sonora clássica que John Williams compôs para o primeiro filme, em destaque quando Harry chega a Hogwarts e é recebido com palmas ao som da trilha. E toda essa vontade de indicações é para que Harry Potter finalmente leve um Oscar para casa, coisa que ainda não pudemos ver realizada.
Mas o que seria de um filme sem atores à altura, e isso sempre esteve presente na série. Começando com o trio principal, que evoluíram muito como atores e profissionais. Daniel Radcliffe já carrega Harry nas costas; Rupert Grint cada vez mais tira a imagem de alívio cômico de Rony Weasley, apesar de continuar engraçado; e Emma Watson cria a personalidade de Hermione exatamente como deve ser, a bondosa sabe-tudo. Mas a saga conta com praticamente todo ator inglês que se preze nos créditos. E uma forma de mostrar que Harry Potter é a maior saga do cinema é ver que todos esses atores e atrizes excelentes estão lá para, na maioria das vezes, fazer uma pequena ponta ou participação, mostrando um claro respeito à obra. E a lista é extensa, contando com Gary Oldman, Ciarán Hinds, Maggie Smith, Michal Gambon, David Thewlis, Brendan Gleeson, Jason Isaacs, Helen McCrory, Robbie Coltrane, Emma Thompson, Jim Broadbent, David Bradley, Natalia Tena, Warwick Davis, Kelly MacDonald, Julie Walters, Mark Williams, John Hurt, Bill Nighy, Imelda Staunton e muitos outros atores respeitados, ajudando a compor esse mundo de magia. Além é óbvio, do talento das (ex-)crianças, como Matthew Lewis (que ganha muito mais importância agora), Evanna Lynch, Bonnie Wright, James e Oliver Phelps, Devon Murray, Jessie Cave, Tom Felton, Kate Leung, Clémence Poésy e muito mais.
Tudo isso para prestar o devido respeito a quem construiu os personagens que tanto amamos, mas para reservar um espaço para os destaques. Helena Bonham Carter é simplesmente psicótica fazendo Belatriz Lestrange, e mostra outro lado de sua atuação ao interpretar Hermione transformada nela pela Poção Polissuco com brilhantismo. Ralph Fiennes faz um Voldemort realmente assustador e malévolo, e o fato dele não ter nariz é o menor dos problemas. Mas o grande destaque do filme fica certamente com Alan Rickman, que fez de Severo Snape um personagem impecável desde o começo da história, no primeiro filme. Seu jeito pausado de falar, sua aparência sombria, sua aparente maldade, tudo levou ele a ser, assim como nos livros, o melhor e mais complexo personagem da história. Se não for para levar o Oscar com essa interpretação, ao menos que concorra a Melhor Ator Coadjuvante que já ficarei muito feliz. Não tem como não se emocionar com sua atuação no momento da Penseira, é de cair lágrimas na mais dura das pessoas.
David Yates é um cara que consegue bem transformar a magia em algo comum. Ao vermos alguém lançar um feitiço, não o vemos mais todo colorido, com aquele ar de novidade e de algo fantástico, e sim vemos como se fosse algo do cotidiano, o que realmente é. E os duelos de magia no filme são excelentes, algo nunca visto no cinema antes, uma luta diferente de tudo.
Adorei também sua ideia de estender um pouco mais a luta final. No livro, a conversa entre Harry e Voldemort enquanto lutam funciona muito bem, mas no filme, muito mais visual, cenas desse tipo são mais empolgantes. Gostei, inclusive, da cena em que eles se jogam do abismo, que foi recebida com muito choque e medo pelos fãs ao verem o trailer.
O que me incomoda um pouco é que, às vezes, Yates quer deixar a magia tão comum que perde o foco. No filme, todo Comensal da Morte voa, quando na verdade só Voldemort faz isso, e todos os feitiços se colidem e ficam ligados, quando somente feitiços de varinhas gêmeas fazem isso. É um jeito de tentar mostrar o quão comum a magia é naquele mundo, mas acho que escolheram os exemplos errados. Um detalhe que me chama bastante atenção é os seguranças de Gringotes usarem uniformes de trouxas. Coloque-os em trajes de bruxos e aí sim entenderemos como funciona aquele mundo.
Outro erro que Yates comete é não pesar nas mortes. Quer queira quer não, é um filme, essencialmente, de guerra. Ao não querer criar momentos melodramáticos, ele perde a oportunidade de mostrar mortes importantes com mais carga dramática, sendo que mortes como a de Tonks e Lupin e a de Fred Weasley passam quase despercebidas, ainda mais a do último, que não mostrou a reação que eu esperava principalmente de seu irmão gêmeo. É uma pena, já que houve cenas anteriores às mortes de extrema competência que já preparavam o caminho para o sofrimento, como ao mostrar Tonks e Lupin dando as mãos antes do ataque dos Comensais, e Fred e Jorge conversando antes da batalha.
E mesmo cortando muito e diminuindo bastante o epílogo do filme, que poderia mostrar uns detalhes a mais de nossos queridos personagens, o filme termina de maneira espetacular, com os heróis de nossa história em cena, dando tchau à maior, mais lucrativa e mais sensacional franquia cinematográfica de todos os tempos. Vida longa e próspera a Harry Potter, que ele continue sendo um sucesso de geração em geração, e que nossos filhos e filhas possam ter o prazer de ler e assistir à melhor história que eu conheço. Esse filme fecha uma série de filmes que, juntos, são perfeitos.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Carros 2

Estou triste ao escrever esse texto. A Pixar, a gigante das animações, que nunca havia errado, errou. Na verdade, deu uma tropeçada, e fez seu filme mais fraco até agora. O único fraco, devo dizer.


Carros 2 (Cars 2, 2011)
Direção: John Lasseter e Brad Lewis
Entenda que não é um filme ruim, só deixa de ter aquela qualidade impecável e a profundidade de todos os outros 11 filmes que a Pixar produziu antes. Coisa que muita gente duvidava que acontecesse e outros que achavam que era inevitável um dia acontecer.
Em Carros 2, Relâmpago McQueen vai participar de uma corrida pelo mundo e leva Mate com ele. Mate é confundido com um espião americano e passa a se aventurar junto de Finn McMíssil e Holley Caixadebrita, espiões que estão tentando evitar o plano de vilões que querem acabar com a corrida e seus competidores.
Carros já era o mais fraco dos longas da Pixar. Ele apresentava a mais clichê (na verdade, a única) história dos filmes do estúdio, aquela de um personagem arrogante que acaba encontrando um lugar pacato e de valores simples, e então reavalia seus conceitos e se torna uma pessoa melhor. Comparei-o até a O Último Samurai no post sobre este filme, e dá para comparar com várias outras histórias semelhantes. E para esta continuação eles conseguiram encontrar uma história mais clichê ainda. Ou vai dizer que você nunca viu por aí um filme em que um personagem engraçadinho acaba sendo confundido com um espião e se metendo em altas confusões? Parece até filme da Sessão da Tarde! Cadê o brilhantismo dos outros roteiros do estúdio?
A Pixar nunca investiu em sequências, exceto com Toy Story, que rendeu mais dois filmes, um melhor que o outro. Mas esses filmes tiveram seus motivos de existirem e foram feitos com muito carinho e competência. Tirando eles, a empresa só lançava filmes originais, sua especialidade. Quando anunciaram a continuação de um de seus filmes, fiquei curioso. Quando anunciaram que era de seu mais fraco filme, fiquei receoso.
John Lasseter é um profissional excepcional. Um dos fundadores da Pixar e diretor das obras-primas do cinema Toy Story e Toy Story 2, além de Carros e Vida de Inseto. Ele altera entre ótimos filmes e os mais fracos do estúdio, que assim mesmo são ótimos. Parece que ele quis fazer Carros 2 somente porque estava com vontade, porque viu um pequeno potencial no filme. Uma pena, já que seu nome fica comprometido, em uma direção normal, sem a técnica de antes.
Não estou, de jeito nenhum, diminuindo o filme aqui, só dizendo que o filme poderia ser melhor, de acordo com os padrões auto-impostos pela Pixar até hoje. Há várias coisas boas no filme, que o fazem ser bem divertido.
O filme é bastante engraçado. Ele traz do primeiro longa todas as piadas envolvendo trocadilhos com carros, como chamar o relógio de Londres de Big Bentley. A animação do filme é espetacular, mostrando todo o potencial da Pixar, que sempre teve a melhor qualidade visual, estética e fotográfica entre todos os estúdios de animação. Basta ver cada cidade ao redor do mundo e ela será reconhecível na hora, com todas suas particularidades e características.
Uma coisa interessante, que divide opiniões, é a mudança do protagonista. Claramente, McQueen fica de lado no filme, dando muito mais espaço a Mate. O personagem é bastante engraçado, mas pode ficar cansativo, dependendo do seu humor. Mas o filme tem personagens de monte para fazer companhia a ele, e todos eles têm seu charme e sua graça, destacando os agentes secretos Finn McMíssil e Holley Caixadebrita, que pensam que Mate é o espião. Além de tudo, os personagens italianos, tanto os antigos Luigi e Guido quanto o novo corredor Francesco Bernoulli, são bem engraçados, e Guido continua calado e sensacional, como no primeiro filme.
A Pixar mostra um respeito louvável ao tirar Doc Hudson do filme em respeito à morte do ator Paul Newman, que o dublou no primeiro. Outra qualidade do filme.
Outro fator excelente do filme é sua dublagem em português. No original, o filme tem atores célebres fazendo as vozes, e no Brasil nós não ficamos atrás. A direção de dublagem de Guilherme Briggs cria adaptações perfeitas para a nossa cultura. Mate é dublado novamente por Mário Jorge, que cria uma voz caipira e inocente extremamente boa, melhor que a original, e é o destaque do filme. E ainda há a ótima participação de Luciano do Valle e José Trajano fazendo os locutores do Grand Prix Mundial, adicionando um realismo muito bom para nós, brasileiros. E o carro que seria Lewis Hamilton vira Emerson Fittipaldi por aqui, sendo dublado pelo mesmo em uma pequena ponta, assim como Cláudia Leitte dubla a corredora brasileira do filme, e sorte que ela tem só duas falas. As adaptações de nomes também são bastante divertidas: Holley Caixadebrita e Miles Eixodarroda (o criador da corrida e do combustível renovável que patrocina) são exemplos de boas adaptações. Expressões são bem traduzidas, também, e ajudadas por elementos da nossa língua espalhados pelo texto (como em um momento, divertidíssimo, em que um capanga diz a um dos vilões do filme, mostrando uma lista: "Aí, chefe, quer dar um 'confere'?").
O filme tem vários momentos engraçados, e obviamente não dá para falar tudo aqui. São momentos típicos de uma comédia de situações, com algo diferente acontecendo a cada momento. E é uma pena que a briga entre McQueen e Mate seja boba, não tendo um motivo forte para que eles realmente se magoem, parecendo apenas uma desculpa para mover a história, já que os dois não ficam juntos durante a maior parte do filme.
O final do filme condiz com o resto, apresentando uma solução clichê para o problema e lições de moral escancaradas na tela, coisas que eram bem disfarçadas em outros filmes do estúdio. A descoberta e revelação do vilão parece um episódio de Scooby-Doo, fazendo a inevitável comparação de Mate com o cachorro engraçadinho dos desenhos.
Enfim, sabe aquelas continuações de filmes clássicos da Disney? Aquelas que saem direto para vídeo, não têm a qualidade dos originais, não acrescentam à história ou aos personagens e são feitas apenas para produzir mais dinheiro? (E que, ainda bem, foram descontinuadas pelo próprio John Lasseter, ironicamente, quando este assumiu a produção dos desenhos da Disney, quando esta comprou a Pixar). Então, Carros 2 parece um desses filmes, parecendo um filme para arrecadar dinheiro e feito às pressas, mas que mesmo assim possui suas qualidades.
Aquilo que muitos temiam aconteceu: a Pixar tropeçou. Mas dizem que é preciso cair para aprender a se levantar. Quando um gigante cai, esperamos que ele levante tão grandiosamente quanto caiu. Essa é a minha esperança, que ela aprenda ainda mais e melhore ainda mais a qualidade de seus filmes, e que volte aos roteiros originais que faz tão bem. Estou confiante em Valente, que sai ano que vem, mas estou preocupado com essa pré-continuação de Monstros S.A. que vai sair, Monsters University.
Para finalizar esse monólogo gigante, este é o filme mais fraco, mas ainda assim bastante divertido. Recomendo por uma razão: é Pixar.

PS: o curta que, como em todo filme da Pixar, passa antes do filme nos cinemas, também é o mais fraco. Férias no Havaí é com os personagens de Toy Story em uma história engraçada, mas nada comparado aos clássicos curtas-metragens que a empresa já fez, como Dia e Noite.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Transformers: O Lado Oculto da Lua

Eu poderia descrever esse filme como visualmente impressionante e resumir tudo somente nessa frase. Mas como existem alguns outros pontos interessantes a ser comentados, eu vou perder tempo fazendo um texto comum.


Transformers: O Lado Oculto da Lua (Transformers: Dark of the Moon, 2011)
Direção: Michael Bay
Um filme megalomaníaco de um diretor megalomaníaco, esse Transformers passa todos os limites da destruição cinematográfica normal e cria quase um balé bélico de metal, adornado de explosões e trilha sonora de tiros.
Depois de descobrirem uma nave de seu planeta natal na Lua, Autobots e Decepticons travam uma corrida para conhecerem seus segredos, revivendo sua história e travando a batalha final deles na Terra.
O que eu descrevi acima é o que eu consigo me lembrar da história do filme. O roteiro é construído para se ter uma desculpa para vermos os robôs gigantes se estraçalhando durante o filme todo. Não é um roteiro ruim, mas está longe de ser bom.
Uma das qualidades dele é usar eventos históricos para basear sua trama. A Corrida Espacial dos anos 60 é resultado direto dos Transformers, já que uma nave deles, fugindo da guerra em seu planeta Cybertron, caiu na Lua. Os americanos, para investigar o que aconteceu, desenvolvem meios de chegar à Lua (e antes dos russos, óbvio).
Continuando com os elogios, Shia LaBeouf é bastante carismático. Ele atua bem e faz uma boa ligação com os robôs gigantes. Ele está muito mais histérico nesse filme, resultado direto da piada com seu grito no segundo filme, o que chega a cansar um pouco, mas mesmo assim rende boas risadas em seus momentos mais assustados. John Turturro continua com seu divertido personagem galhofado, e Frances McDormand se junta à equipe com uma personagem até engraçada, mas que na maioria das vezes é tão sem carisma quanto os pais de Sam.
E a grande polêmica e dilema do filme: trocar Megan Fox por Rosie Huntington-Whiteley não faz diferença nenhuma ao filme. As duas estão ali para preencher o espaço da gostosa, sendo que nenhuma das duas é grande atriz e estão ali para rivalizar com os carros do filme em questão de curvas. Talvez Michael Bay tenha até ganhado nessa, já que a primeira imagem de Rosie (sobrenome complicado demais) é justamente um close em sua bunda subindo as escadas. Megan Fox já era muito "estrela" para isso.
E quando eu disse lá em cima que o diretor é megalomaníaco, isso se deve ao conteúdo não só desse filme, mas como de todos de sua carreira. O que ele quer colocar na tela são efeitos especiais e destruição geral sem parar. Analise sua filmografia e você vai encontrar filmes como Os Bad Boys e Bad Boys 2, Pearl Harbor, Armageddon e, claro, os dois primeiros Transformers. Filmes que tem destruição como elemento principal. E se é o que ele quer mostrar e passar adiante, ao menos nisso ele se garante. Esse terceiro filme dos robôs tem os efeitos especiais mais impressionantes que eu vi nos últimos tempos. Pedaços de metal voando para todo lado, tiros disparados a todo o momento, brigas entre robôs gigantes, carros reajustando suas peças para virar os robôs. Tudo com um realismo emocionante, eu saí dos cinemas achando que eles estão realmente entre nós. A destruição de uma cidade inteira no terceiro ato é fenomenal e grandiosa, nunca vi tanta destruição em um filme só. É a minha aposta para o Oscar de Efeitos Especiais, e um filme desses é necessário para que a tecnologia se desenvolva cada vez mais e torne muitos outros filmes melhores.
Pena que o filme seja só isso. Não tem roteiro, não tem história, não tem atuações memoráveis e nem acrescenta nada para quem for assistir. E não digo que o gênero é assim, porque já vi muitos filmes com bastante ação e tramas intrigantes. O espetáculo que Michael Bay quer criar é simplesmente mostrar carros incríveis se transformando em robôs alienígenas gigantes de metal e objetificar as mulheres. É um bom passatempo e pronto. E quem não gosta de presenciar, praticamente, um fim do mundo particular?

sexta-feira, 24 de junho de 2011

X-Men: Primeira Classe

Eu posso não ter registrado em nenhum lugar, mas eu já disse várias vezes que eu confiava em Matthew Vaughn. Depois que ele dirigiu o clássico moderno Kick-Ass - Quebrando Tudo, eu sabia que ele tinha a capacidade para dirigir qualquer filme de super-herói, seja ele adolescente ou não.


X-Men: Primeira Classe (X-Men: First Class, 2011)
Direção: Matthew Vaughn
Temos a volta de Bryan Singer aos X-Men, mesmo que na produção. Afinal, ele já fez muito por esse grupo de mutantes, e deixou a direção com um talentoso diretor que sabe tratar de questões complexas.
No filme, vemos como Charles Xavier e Erik Lehnsherr se conhecem, viram amigos, acabam se desentendendo, criam os X-Men e a Irmandade de Mutantes e viram o Professor X e Magneto.
Antes de qualquer coisa, acho um dos melhores filmes desse ano. Toda a história, todo o conceito, todo o desenvolvimento de personagens e o contexto histórico são perfeitos. Dá para ver que esse filme foi feito com muito cuidado e carinho e, mesmo mudando elementos cruciais das histórias em quadrinhos, cria um universo novo nos cinemas para os mutantes.
E outra coisa que me surpreendeu foi o fato de eu ter lido, após o filme, que esse filme não pretende ser uma prequel (ou uma pré-continuação) da trilogia X-Men, mas sim um reboot da série. É impressionante como esse filme se encaixa totalmente com a continuidade da trilogia já criada, tendo apenas furos bem pequenos, sendo um ou dois de mais importância. Se, quisesse, ele realmente poderia ser o começo da trilogia.
Duas coisas já saltam à vista logo de cara: os personagens de Charles e Erik. Suas histórias, seus desenvolvimentos e, inclusive, suas interpretações, são fascinantes. James McAvoy faz um jovem Charles com as mesmas características de sua versão mais velha - atencioso, compreensivo, inteligente - e, ao mesmo tempo, adicionando elementos condizentes com sua jovialidade, como ele ser mais ativo, charmoso e até galanteador.
Michael Fassbender faz Erik também com características de sua versão futura - decidido, ambicioso - e o faz um jovem impulsivo, perturbado pelo seu passado, que acredita na superioridade dos mutantes. Uma atuação devidamente marcante, em que aparecem nuances de um personagem marcado pela pressão do nazismo. Aliás, a primeira cena de X-Men: O Filme é recriada e estendida aqui para mostrar a origem dos poderes de Erik.
Esses dois personagens e atores merecem um parágrafo para cada por serem as engrenagens que movem esse filme e pelo brilhantismo dos dois. Você entende perfeitamente os motivos que movem cada um deles, e quando se conhecem a admiração e respeito entre os dois é mútua. Perfeitamente compreensível o motivo deles se unirem e, mesmo sabendo que a história criada para os quadrinhos é anterior aos livros de Harry Potter, a relação entre os dois me lembra um pouco a de Dumbledore com Grindelwald (para quem está esperando pelo último filme, você entenderá isso depois, e isso já não é mais spoiler em lugar nenhum). A amizade entre eles, no começo, também me lembra muito a relação que há entre Sherlock Holmes e seu amigo Dr. Watson. Charles e Erik representam dois lados de uma mesma moeda, o que, pensando bem, pode ser o motivo que faz com que o objeto que lembra Erik de sua missão ser uma moeda.
Partindo para outros assuntos do filme, ainda há muitas atuações a serem citadas. Kevin Bacon faz um ótimo vilão, Sebastian Shaw, talvez o melhor de todos os filmes dos mutantes. Uma atuação incrível de um personagem que não receberia tanto destaque nas mãos de outras pessoas. Nicholas Hoult e Jennifer Lawrence, que interpretam, respectivamente, Hank McCoy (Fera) e Raven (Mística) fazem ótimas atuações, e a relação entre os dois é muito bem pensada e explorada. O diálogo entre os dois quase no final do filme revela muito sobre quem são e nos faz pensar. E ainda há Rose Byrne fazendo Moira McTaggert, que nesse filme virou agente da CIA e interesse romântico de Charles, além de duas pontas bem interessantes de Rebecca Romijn e Hugh Jackman.
E o filme conta com vários outros atores fazendo outros mutantes para preencher o filme, os tornando a primeira classe do título. Na lista desse filme, além dos já citados acima, do lado do bem há Destrutor, Banshee, Angel (interpretada estranhamente pela filha de Lenny Kravitz, Zoë) e Darwin (com o menor destaque de todos); e do lado do mal temos Maré Selvagem, Emma Frost (January Jones atuando somente com o corpo) e Azazel, um demônio vermelho que se teletransporta. Como curiosidade, nos quadrinhos, Noturno é filho de Mística e Azazel, e quem sabe se isso não pode acontecer em uma continuação.
A ação do filme é muito boa, contando com momentos sensacionais que só podem existir em um filme sobre os X-Men. O filme tem ótimas cenas de luta e bons efeitos especiais. Às vezes os efeitos deixam a desejar em alguns poucos momentos, mas totalmente irrelevante considerando a história e a mensagem do filme, mais importantes no momento. E é muito interessante perceber como os uniformes voltam a ser mais coloridos, representando a própria época e uma homenagem às histórias escritas na década de 60.
E, para finalizar, a interação com o contexto histórico também foi excelente. Ambientado durante a Guerra Fria, o filme cria uma versão da História onde os mutantes foram os responsáveis diretos pela Crise dos Mísseis de Cuba e pela sua prevenção, adicionando uma boa parcela de realismo nos filmes.
Matthew Vaughn é um diretor excelente, e já provou que sabe colocar, em um filme de heróis, muito mais do que o vilão e o mocinho brigando. Ele sabe colocar profundidade e filosofia sobre diversos assuntos dentro de um mundo onde pessoas assumem um posto alto desses. E olha que Kick-Ass e seus amigos nem tinham poderes. Enquanto todos reclamavam que fariam mutantes adolescentes, eu simplesmente confiava em Vaughn e em Bryan Singer criando a história e sendo produtor.
Magneto sempre foi meu personagem favorito de todo o Universo Marvel. Sempre o achei fascinante e intrigante, sempre entendi seu modo de ver a evolução e seus motivos para fazer o que faz. Ele decididamente não é mau, é apenas o homem que vê as coisas de um modo diferente, e eu sempre o respeitei por isso. Sempre esperei por um filme sobre sua história, mas acabei ganhando mais do que isso. Ganhei um filme sobre sua história e a história de seu grande amigo/adversário, de como eles planejavam um mundo melhor, porém cada um a sua maneira. Xavier e Magneto são o grande Yin e Yang da Marvel, e isso foi representado de maneira espetacular nesse filme. Um dos melhores, se não o melhor, filme do ano.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Kung Fu Panda 2

Eu lembro de que, quando assisti a Kung Fu Panda, ele ficava no meio de termômetro de qualidade da DreamWorks. Não era tão bom quanto os melhores da empresa, mas era melhor que os menos bons. E havia potencial para melhorar nessa continuação.


Kung Fu Panda 2 (Kung Fu Panda 2, 2011)
Direção: Jennifer Yuh
Desde que li a sinopse do filme, percebi que eles haviam achado um ótimo gancho para o segundo filme. Não parecia forçado, parecia simplesmente a continuidade natural da história. E com uma boa ideia poderia vir um bom filme.
Po e os Cinco Furiosos precisam parar um novo vilão que criou uma arma que acaba com o kung fu. Nessa nova jornada, Po vai descobrir segredos do seu passado enquanto salva toda a China.
A história é bem legal. Ela busca em acontecimentos anteriores ao primeiro filme a trama que vai sucedê-lo. Isso quer dizer que ele não repete a mesma história do primeiro, criando um novo arco bom o suficiente para gerar uma continuação.
A grande questão é que o filme não deixou de ser o mesmo estilo do primeiro. E, assim sendo, ele figura, em uma lista dos filmes feitos pela DreamWorks, abaixo dos melhores e acima dos piores. Ele é apenas um filme comum. Dos filmes do estúdio que receberam continuação, é o mais fraco: Shrek (1 e 2) e Madagascar (também 1 e 2) são melhores do que Kung Fu Panda (pela terceira vez, 1 e 2). Mas estes são, também, melhores que Os Sem-Floresta, O Espanta Tubarões, FormiguinhaZ e alguns outros títulos. Traduzindo, é um filme que achei bom o suficiente, e que assistiria novamente sem problema algum.
Afinal, o filme tem bastante humor. O único defeito dele é ele não estar espalhado por todo o filme. Ele tem vários momentos hilariantes, mas que acontecem aqui e ali, e não durante toda a projeção. Você dá uma gargalhada de quinze em quinze minutos, digamos. Na média ele possui um bom nível de gargalhada (melhor que alguns filmes), mas na prática você fica quinze minutos apenas dando sorrisos de canto por piadas abaixo da média para uma produção deste tipo. Mas eu adoro como eles dão um jeito de fazer Po lutar quase não lutando. Tudo praticamente é feito pelos seus amigos de um jeito que ele leva o crédito por aquilo, isso é genial.
A dublagem original conta com astros para todos os personagens, o que, claro, não acontece no Brasil. Porém, assim como praticamente todas as animações e desenhos, a dublagem brasileira é excelente, e dá uma boa adaptada no texto para incluir expressões tipicamente brasileiras, que tornam o filme mais engraçado e natural para nós. E temos, sim, um famoso na dublagem. E fazendo um bom trabalho, fique tranquilo (afinal, hoje em dia dublagem de famoso = Luciano Huck). Quem dubla Po na versão nacional, que retornou do primeiro filme, é Lucio Mauro Filho. Ao escutá-lo, ele parece ser da equipe de dubladores profissionais, o que é sempre bom, pois mostra que seu trabalho está sendo bem feito.
Como já disse, a história é bem agradável. Sabemos da relação de Po e seu pai, Mr. Ping, o ganso. Se a situação era usada como comédia no primeiro filme, aqui é a base para esta continuação, sem estragar a mitologia do filme. É sempre bom ver quando uma continuação adiciona ao filme original ao invés de deturpá-lo. Po evolui bastante como personagem, mas continua o mesmo que nos conquistou, o que é incrível.
Em questão de qualidade e comédia, o filme está no mesmo patamar do primeiro, continua agradável. Foram acrescentadas mais cenas de ação, que estão excelentes, técnica e visualmente impressionantes, que fazem valer o nome do filme.
No final das contas, tenho medo do que pode acontecer se resolverem fazer uma trilogia. Se não houver aprimoramentos e o filme continuar nesta linha, o próximo filme pode ser ruim. Mas me assusta de qualquer jeito, porque a DreamWorks, em sua primeira experiência com trilogias, pôs tudo a perder. Sim, falo de Shrek Terceiro.

sábado, 11 de junho de 2011

Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas

Piratas do Caribe tentando continuar em meio a tantas outras franquias de sucesso. E eles estão apostando tudo em um lugar só: Johnny Depp. Será que ele segura tudo sozinho?


Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas (Pirates of the Caribbean: On Stranger Tides, 2011)
Direção: Rob Marshall
A Disney tem o pote de ouro (ou, nesse caso, o baú de tesouros) nas mãos, e não pretende perdê-lo. Para tanto, quer começar a nova trilogia da franquia de sucesso, sem muitas ligações com a anterior. Mas esse é justamente o problema.
Jack Sparrow está atrás da famosa Fonte da Juventude, mas Barbossa, Barbanegra e sua filha Penélope também estão. Em meio à corrida, o caminho de todos se cruzam e conflitos são gerados.
Da trilogia original, somente quatro pessoas voltam para este filme: Johnny Depp (Sparrow), Geoffrey Rush (Barbossa), Kevin McNelly (Gibbs) e Jerry Bruckheimer (não podemos nem contar Keith Richards, já que ele aparece apenas como apareceu no terceiro filme: em uma pequena ponta).
O primeiro e o último são o motivo pelo qual os filmes anteriores foram um sucesso. Johnny Depp criou um dos personagens mais divertidos dos últimos tempos, e Bruckheimer é um produtor que sabe fazer blockbusters. Aliado à direção de Gore Verbinski, eles criaram filmes de ótimo nível. Com a saída do diretor desse quarto filme (para dirigir, até então, a melhor animação do ano, Rango), as coisas perderam um pouco o rumo, com uma história um tanto confusa e sem os personagens que nos acostumamos a ver.
Rob Marshall é um diretor conhecido por seus musicais, tendo dirigido Chicago e Nine, e foi chamado para dirigir Piratas. Não é uma má direção, mas não é a ótima direção que já estávamos acostumados na série. Ele deixou as coisas um pouco confusas, dando muito mais destaque a contar histórias paralelas, apresentar personagens e nos maneirismos de Jack. Mas não o culpo pelo último, é preciso investir no seguro.
A apresentação de personagens ficou bem cansativa. Cada um deles era apresentado em determinado momento, exatamente do mesmo jeito, o clássico de esconder a pessoa na sombra e depois sair. Foi assim para revelar que Barbossa continua na série e não é mais um pirata, foi assim para apresentar Angelica (Penélope Cruz), com uma luta inteira nas sombras, e foi assim com Barbanegra (Ian McShane). E todas essas pessoas estão procurando a Fonte sem nenhum motivo específico que nos seja revelado (ou aprofundado).
Como não temos mais o núcleo amoroso dos primeiros filmes, que era representado por Will e Elizabeth, decidiram colocar alguém para preencher o espaço livre. No lugar entrou um romance forçado entre um padre e uma sereia. O filme toma tempo demais para desenvolver a relação entre os dois, parando mais que o necessário em suas cenas, o que cansa um pouco. A sub-trama poderia, sim, existir, desde que fosse mais bem pensada e não desviasse nosso foco a todo instante.
Porque, afinal, o filme precisa que você esteja bem focado. Não porque a trama é complicada, mas porque ela é um tanto mal explicada. As reviravoltas que acontecem não têm toda a inteligência que tinha nos filmes passados, e parecem existir para imitá-los, apenas.
Mas o humor do filme continua bom. Johnny Depp consegue carregar o filme nas costas, com toda a energia que devota ao seu Jack Sparrow. Desde a primeira cena dele, onde está disfarçado, até sua última, em tom de sarcasmo, ele usa todos seus maneirismos, cara-de-pau e inteligência para nos divertir. Keith Richards, em sua única cena, nos faz rir muito, e o mesmo acontece na revelação de Angelica, em sua primeira cena.
Depp disse que continuaria interpretando Sparrow sempre, desde que quisessem, pois adora o personagem. Também adoro o personagem. E se os filmes continuarem como estão, mesmo com essa queda de qualidade, mas ainda sendo um bom filme, eu continuarei assistindo. Mas eu acredito que uma nova troca de diretores beneficiaria a franquia. E há sempre o medo do dia em que Jack começará a nos enjoar.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Se Beber, Não Case! - Parte 2

Neste post você vai aprender como transformar o mesmo produto em uma fonte inesgotável de dinheiro, seguindo o mesmo conceito de brinquedos - para torná-los mais populares e caros, basta acrescentar acessórios ao mesmo boneco.


Se Beber, Não Case! - Parte 2 (The Hangover - Part 2, 2011)
Direção: Todd Phillips
Nesse texto, vai parecer que eu não gostei do filme. Sim, dá para rir durante toda a projeção. Mas focarei nos pontos negativos pelo simples fato de já ter focado nos positivos em Se Beber, Não Case!, já que os dois são praticamente o mesmo filme.
Desta vez, quem vai se casar é Stu. Todos viajam à Tailândia para o casamento e, receoso sobre o que já aconteceu no passado, Stu decide fazer apenas um café da manhã antes do casamento, porém as coisas dão errado novamente e eles acordam com outra ressaca inesquecível.
A própria sinopse do filme é igual ao do anterior, basta acrescentar alguns "desta vez" no meio.
Este filme segue exatamente a mesma estrutura do filme anterior, do começo ao fim. Começa com a estrutura do casamento e o trio principal ligando avisando que eles estragaram tudo. A partir daí você sabe o meio e o fim do filme. Sobra você rir das piadas e situações embaraçosas que surgirão.
Mas é claro que isso é uma continuação, e uma das filosofias das continuações é "mais". Mais personagens, exageros e tudo mais. E para mostrar que ele segue a mesma linha de raciocínio do primeiro, com seus devidos exageros, basta pegar alguns dos momentos-chave do primeiro. Se no primeiro havia um tigre que apareceu no quarto, neste há um macaco - e em questão de exagero, um macaco não é mais perigoso que um tigre, mas tem mais potencial cômico; nos dois filmes há perda de alguma parte do corpo, sendo que no primeiro é um dente e no segundo um dedo; Alguém some nos dois filmes, no primeiro é o noivo, e no segundo é o irmão da noiva, o personagem novo.
Existe o personagem indefeso que eles devem carregar: neste segundo, um monge de cadeira de rodas substituindo o bebê do primeiro, filho da prostituta. E tocando no assunto, ela dá lugar a uma prostituta travesti no segundo, com direito a comprovação por nudez e tudo. Finalizando essa lista de "coincidências", nos dois filmes há um acordo com alguém, que resulta em uma troca pelo personagem desaparecido. Com o Sr. Chow no primeiro e com o personagem de Paul Giamatti (em uma boa ponta) no segundo. Não é spoiler dizer que nenhuma das duas dá certo, e o negociante não está realmente de posse da pessoa.
O exagero é presente inclusive na atuação dos personagens. Stu (Ed Helms) está muito mais histérico, Alan (Zach Galifianakis) está muito mais bobo e criança (como é comprovado por um "flashback"). O Sr. Chow (Ken Jeong), depois de fazer muito sucesso no primeiro, volta muito mais maluco, homossexual e pelado neste filme, e ganha papel de maior destaque. Phil (Bradley Cooper) é praticamente o mesmo, somente um pouco mais indestrutível, assim digamos. Doug (Justin Bartha) volta para sua ponta de luxo, mesma função do novato Teddy (Mason Lee). Todos com boas atuações e muito engraçados, apesar do exagero já citado. Até Bangcoc é mais exagerada que Las Vegas, sendo muito mais violenta e maluca.
Tudo isso vai acabar, você bem sabe, com mais uma participação de Mike Tyson e as famosas fotos do final do filme, que são engraçadíssimas de tão absurdas.
O filme consegue ser uma mistura de continuação com remake, podendo se encaixar nas duas categorias juntas. O diretor conseguiu despertar duas condições distintas, a amnésia e o déjà vu, ao mesmo tempo.
Pode assistir ao filme sem medo, a não ser que você fique muito incomodado com a mesma história de novo. Eu dei muitas risadas no cinema, o filme tem cenas hilariantes, atores fantásticos e muito humor politicamente incorreto. Assista, ao menos, para ver o macaco, muito engraçado, fumando.
Parece que, pelo sucesso do segundo, um terceiro filme já está sendo cogitado. Será que há espaço e interesse do público para isso? Todd Phillips, junto com seus roteiristas Craig Mazin e Scot Armstrong, podem até entrar para o Livro dos Recordes, como as pessoas que conseguiram fazer três filmes de um único roteiro. Sem dividi-lo em três partes.